UFSJ avança em Inovação no RUF

Publicada em 14/11/2025

Foi publicado o Ranking Universitário Folha (RUF). O principal destaque da UFSJ é o quesito inovação, que subiu 18 posições, da 46ª para a 28ª na classificação nacional, refletindo significativo crescimento em sua cultura e infraestrutura de inovação. Em comparação à edição de 2024, a UFSJ apresentou melhora também em Mercado e Pesquisa.

Para o coordenador do Núcleo de Empreendedorismo e Inovação Tecnológica e Social (NETEC), Paulo Granjeiro, o desempenho é resultado direto do trabalho da equipe de servidores e colaboradores do NETEC, assim como da atuação de estudantes, professores e técnicos administrativos em atividades de inovação, como propriedade intelectual, acordos de P&D, abertura de empresas spin-off, incubação de empresas e transferência de tecnologia.” A evolução também se deve, na sua opinião, à implementação das resoluções de Política de Inovação aprovadas no Conselho Universitário em 2023, que tornaram processos mais ágeis, definiram fluxos institucionais e ampliaram a disseminação da cultura de inovação no ambiente acadêmico.

O RUF avalia cinco dimensões institucionais: Ensino, Pesquisa, Mercado, Inovação e Internacionalização. No filtro por tempo de fundação, a UFSJ se destaca entre as 20 universidades brasileiras com 31 a 50 anos de existência, ocupando a oitava colocação nacional. No conjunto das 204 universidades avaliadas, independentemente do tempo de funcionamento, a UFSJ alcançou o 63º lugar.

No quesito ensino, entre os 25 cursos de graduação da UFSJ avaliados em 2025, 18 cursos (72%) melhoraram de posição no ranking. Com destaque para Engenharia Mecânica, Farmácia, Medicina e Arquitetura.

Debate nacional sobre o RUF: metodologias, desafios e novas direções
Nesta quinta, 13 de novembro, o reitor da UFSJ, Marcelo Andrade, participou, no Auditório da Folha, em São Paulo, da apresentação oficial da metodologia do RUF 2025. O encontro foi promovido pela Folha de S. Paulo, em colaboração com a Elsevier, uma das maiores editoras científicas do mundo, responsável por bases como Scopus e ScienceDirect, amplamente usadas em avaliações de produção acadêmica.

Na abertura do evento, o cientista de dados Estêvão Gamba e a diretora do Datafolha, Luciana Chong, explicaram que o RUF, lançado em 2012, foi inicialmente inspirado em modelos internacionais, mas vem sendo ajustado ao longo dos anos para refletir as mudanças no sistema de educação superior brasileiro. Apesar das adaptações, os cinco pilares avaliativos permanecem: Ensino, Pesquisa, Mercado, Inovação e Internacionalização.

A novidade da edição 2025 foi justamente a parceria com a Elsevier, que permitiu ajustes metodológicos e maior valorização das produções científicas na área de Ciências Humanas, apoiadas pela base SciELO. Para 2026, está prevista uma mudança importante: a inclusão do número de estudantes envolvidos em ações de internacionalização, já que até 2025 o indicador se limitava às publicações científicas.

Durante o debate, o reitor Marcelo Andrade manifestou preocupações e apresentou sugestões para o aprimoramento do ranking. Ele questionou, especialmente, o indicador de empregabilidade, atualmente baseado em entrevistas com gestores de Recursos Humanos nas capitais brasileiras. “Esse modelo tende a favorecer instituições localizadas em grandes centros urbanos e se baseia mais em percepções do que em dados objetivos de contratação”, avalia.

Marcelo vem defendendo que o INEP desenvolva pesquisas sistemáticas sobre egressos do ensino superior como forma de produzir indicadores mais robustos, representativos e alinhados à realidade das universidades públicas.

Ele também propôs que a Extensão Universitária seja incorporada como um dos pilares do RUF, em consonância com a política de curricularização da extensão, que determina que ao menos 10% da carga horária dos cursos seja voltada a atividades extensionistas. Ressaltou também o impacto social das universidades federais, evidenciado durante a pandemia de covid-19 por meio de ações de extensão.

O reitor também alertou para três desafios centrais enfrentados pelas universidades públicas brasileiras: 1) permanência estudantil e fortalecimento das ações afirmativas, que exigem financiamento e políticas de apoio para garantir a conclusão dos cursos pelos estudantes; 2) formulação de políticas públicas baseadas em evidências, apontando que documentos como o Plano Nacional de Educação (PNE), que está tramitando no Congresso Brasileiro, frequentemente começam sob orientação técnica/acadêmica, mas terminam alterados meramente por interesses políticos; 3) desconstrução da narrativa negativa sobre as universidades públicas, especialmente nas redes sociais, onde têm sido retratadas como adversárias da sociedade. A importância da imprensa, caso da Folha de S.Paulo, na defesa das universidades por meio de coberturas equilibradas e informativas é, para o reitor, fundamental.

Ao final, Marcelo reiterou o compromisso da UFSJ em seguir contribuindo, com serenidade e responsabilidade, para o fortalecimento contínuo das universidades públicas brasileira.