Equipe da UFSJ se classifica para a Final Brasileira da Maratona SBC de Programação
Publicada em 21/09/2026
A Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) estará representada na Final Brasileira da 31ª Maratona SBC de Programação. A equipe Tesouros, formada pelos estudantes Giancarlo Oliveira Teixeira, Sergio Alexsandro de Melo Gonzaga e Vítor Oliveira Amorim, conquistou a vaga ao ficar em primeiro lugar na etapa classificatória realizada no Campus Tancredo Neves (CTAN), em São João del-Rei, no dia 29 de agosto.
O time é orientado pelos professores Guilherme de Castro Pena, Elverton Carvalho Fazzion e Daniel Luiz Alves Madeira. Com o resultado, a UFSJ garante presença na Final Brasileira da competição pelo terceiro ano consecutivo.
A primeira fase aconteceu simultaneamente em dezenas de sedes distribuídas pelo país e reuniu 965 equipes de 233 instituições de ensino, em busca de uma das 65 vagas para a Final Brasileira. A próxima etapa será realizada entre os dias 5 e 8 de novembro de 2026, em Uberlândia (MG).
A sede organizada pela UFSJ reuniu 27 equipes de cinco instituições ou escolas. Pelo regulamento da competição, esse número de representações garantiu à sede uma vaga direta para a Final Brasileira, destinada ao time com melhor desempenho. A Tesouros terminou a disputa na primeira colocação e assegurou o direito de representar a Universidade Federal de São João del-Rei na etapa nacional.
Além da UFSJ, participaram equipes do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Para fins da competição, as representações dos campi da UFSJ foram consideradas separadamente na contabilização das cinco instituições ou escolas participantes.
A Universidade teve forte presença na disputa: foram dez equipes de São João del-Rei e outras dez do Campus Alto Paraopeba (CAP), em Ouro Branco. O IFMG participou com três equipes de Ouro Branco; a UFJF, com três times de Juiz de Fora; e a UFLA, com uma equipe.
Formação além da sala de aula
Para o professor Guilherme de Castro Pena, um dos orientadores da Tesouros, o resultado deve ser compreendido também como consequência da dedicação dos estudantes para além das atividades regulares do curso de Ciência da Computação. A programação competitiva exige conhecimentos e habilidades trabalhados na graduação, mas também demanda estudos adicionais para a resolução de problemas de complexidade crescente.
“Os alunos que participam da Maratona são alunos que se dedicam de forma extra para estudar assuntos cada vez mais complexos, que é o que geralmente é cobrado nesse nível de competição nacional”, explica Guilherme.
Parte dessa preparação ocorre no Núcleo de Programação Competitiva (NPComp), grupo que, segundo o professor, funciona há cerca de três anos e reúne aproximadamente 15 equipes. São realizados treinamentos quase semanais, além de competições internas e da participação dos estudantes em disputas externas, entre elas a Maratona Mineira de Programação e a Olimpíada Brasileira de Informática.
O trabalho busca não apenas preparar os atuais competidores, mas também formar novas equipes. Guilherme explica que estudantes mais experientes ajudam no treinamento daqueles que estão começando no curso, permitindo a circulação do conhecimento entre diferentes turmas.
“Os veteranos acabam ensinando os alunos iniciantes. A ideia é que isso continue e perdure nos próximos anos, para mantermos essa estrutura, assim como outras grandes universidades também têm esse nível de treinamento”, afirma o docente.
Nesse processo, integrantes da própria Tesouros e de outras equipes contribuem para a formação dos novos participantes. A dinâmica ajuda a criar uma estrutura permanente de programação competitiva, na qual professores incentivam e orientam as atividades e estudantes mais experientes compartilham conhecimentos com os colegas que ingressam no curso.
Para Guilherme, chegar novamente à Final Brasileira contribui para dar visibilidade a esse trabalho e pode estimular a participação de outros estudantes.
“Essa classificação é importante para ganharmos reconhecimento e, ao mesmo tempo, servir de inspiração para outros alunos estarem animados e dispostos a se dedicar e estudar, para termos cada vez mais times e mais alunos empenhados”, destaca Guilherme.
O professor também ressalta a importância do apoio institucional para que as equipes possam participar das competições fora da Universidade. Segundo ele, a UFSJ tem contribuído com recursos para despesas relacionadas às viagens dos estudantes.
Experiência que pode chegar ao mercado de trabalho
Os benefícios da programação competitiva, segundo Guilherme, também podem ultrapassar o ambiente acadêmico. A preparação para as provas exige dedicação a conhecimentos que vão além daqueles cobrados regularmente na graduação e pode contribuir para diferenciar os estudantes em processos de seleção profissional.
O professor lembra que grandes empresas estão entre as patrocinadoras de competições de programação e acompanham esse ambiente em busca de novos profissionais, oferecendo oportunidades de estágio, trainee e emprego.
“Esses alunos acabam se diferenciando justamente por causa disso. Eles correm atrás de uma dedicação, de um estudo que não é cobrado no curso. A gente incentiva, e eles estudam e treinam por eles mesmos”, explica.
Para Guilherme, essa iniciativa dos estudantes é valorizada também pelas empresas. “Essas grandes empresas reconhecem isso porque sabem que são profissionais dedicados”, completa.
A Maratona
Realizada anualmente pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC), a Maratona SBC de Programação é voltada a estudantes universitários e envolve conhecimentos de programação, algoritmos, raciocínio lógico, estratégia e trabalho em equipe.
Cada time é composto por três estudantes, que têm até cinco horas para solucionar uma série de problemas computacionais. Durante a prova, os integrantes precisam discutir estratégias, desenvolver algoritmos, programar as soluções e submetê-las ao sistema de avaliação da competição.
Podem participar estudantes regulares de cursos de graduação que atendam aos critérios de elegibilidade estabelecidos pela organização. A competição integra o circuito relacionado ao International Collegiate Programming Contest (ICPC) e funciona também como caminho para que equipes avancem para etapas internacionais.
Competições nacionais e regionais relacionadas ao ICPC são realizadas em diferentes países da América Latina. Na etapa classificatória, as equipes disputam simultaneamente a mesma prova, embora estejam distribuídas por diferentes sedes.
No Brasil, a Maratona é realizada em duas etapas. A primeira é descentralizada e classificatória, enquanto a Final Brasileira reúne as equipes que conquistaram as vagas de acordo com os critérios estabelecidos pela organização.
Próximo desafio
Depois da conquista em São João del-Rei, Giancarlo, Sergio e Vítor se preparam para representar a UFSJ entre as 65 equipes classificadas para a Final Brasileira.
A etapa nacional será realizada entre os dias 5 e 8 de novembro, em Uberlândia. Na final, os representantes da UFSJ estarão diante de alguns dos principais times universitários de programação do país, em uma disputa que também pode abrir caminho para as próximas fases do circuito internacional.
A terceira classificação consecutiva da UFSJ para a Final Brasileira dá continuidade à presença da Universidade na competição e evidencia o trabalho desenvolvido por professores e estudantes na consolidação da programação competitiva.
Além da busca por resultados, a iniciativa estimula habilidades importantes para a formação em Computação, como desenvolvimento de algoritmos, resolução de problemas complexos, raciocínio lógico, estratégia, autonomia nos estudos e trabalho em equipe.